quarta-feira, 17 de dezembro de 2025

VAI INTERROMPER O APRENDIZADO BÁSICO DO ESPERANTO PARA TIRAR FÉRIAS? QUE PERIGO!

 


A aprendizagem de uma nova língua pode ser comparada à gestação de uma nova estrutura mental — um “bebê linguístico". Segundo Piaget, o desenvolvimento cognitivo ocorre por estágios que exigem estímulo constante para que ocorram assimilação e acomodação. Interromper o contato com o idioma ainda na incubação ou formação, portanto, rompe a linha de continuidade essencial à consolidação neurológica da nova língua ainda fetal.

O Esperanto, apesar de ser mais lógico e regular que línguas étnicas, requer imersão didática e repetição, para se fixar nas redes neurais. De acordo com Eric Kandel, neurocientista ganhador do Nobel, a consolidação da memória de longo prazo exige reforço sistemático. Interrupções longas — como "férias" prolongadas do idioma — podem levar à poda sináptica de estruturas ainda frágeis, gerando atrofias e deficiências estruturais dificilmente cirurgiáveis. Em outras palavras, interromper o aprendizado do Esperanto para tirar férias é o mesmo que provocar o aborto do processo cognitivo. Se o bebê linguístico vier a nascer, será com sequelas.

Vygotsky também reforça que a aprendizagem ocorre na Zona de Desenvolvimento Proximal, sendo essencial a continuidade do estímulo para que a potencialidade vire competência real. Se essa zona for deixada inativa por tempo demais, a ponte não se completa, e o aluno volta ao ponto de partida.

Em resumo, interromper o estudo do Esperanto por longos períodos equivale a interromper um processo gestacional. Se o bebê linguístico ainda nascer, poderá vir frágil, com "sequelas" — com vocabulário raso, perda da fluência sintática e enfraquecimento da escuta ativa. A mochila com o livro didático continuando a ser estudado diariamente, portanto, não é um peso — é o cordão umbilical da fluência. O cérebro é o útero, e os órgãos dos sentidos são a melhor sala de aulas ou de treinamentos.

Isso é o ponto de partida para uma reflexão sobre o processo contínuo de aprendizagem, especialmente no caso de uma língua planejada como o Esperanto, cujo progresso depende fortemente da constância.

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